quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Covid atingiu pico em Pernambuco, mas pode voltar a crescer, diz comitê científico

Jornal Alto Alentejo
Pernambuco completa, nesta quarta-feira (12), cinco meses desde as primeiras confirmações oficiais de casos da Covid-19. Em 12 de março, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) notificou um casal morador do Recife como os primeiros infectados. Em boletim publicado nessa terça-feira (11), o Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste (C4) alerta que a doença atingiu seu pico no Estado, mas pode voltar a crescer.

O comitê usa vários dados para emitir o laudo, como, por exemplo, o número efetivo de reprodução (Rt) do vírus em Pernambuco. Atualmente, o valor encontra-se entre 1,07 e 1,38, o que indica um risco epidêmico alto, uma vez que valores acima de 1 apontam para um espalhamento maior do patógeno. 
Risco epidêmico da Covid-19 em Pernambuco
Em resumo, quando o número de reprodução está acima de 1, cada paciente pode disseminar o vírus para mais de uma pessoa, o que indica a falta de controle da doença numa determinada região. O Rt alto pode ainda levar a uma segunda onda da Covid-19 no Estado, que poderia ser até mais severa que a primeira, segundo o comitê.

O comitê diz, no entanto, que o número de óbitos no Estado vem apresentando redução na curva epidêmica. Na terça, Pernambuco ultrapassou a marca de 7 mil mortes e, segundo dados do Ministério da Saúde, tem a segunda maior taxa de mortalidade da região Nordeste, com 73,3 óbitos a cada 100 mil habitantes. O índice pernambucano é menor apenas que o do Ceará, onde morrem 87,7 pessoas para cada 100 mil.
Em geral, o comitê aponta que a prevalência de queda dos números diários de casos e de óbitos ocorre nas capitais dos estados. No Interior da região, no entanto, os índices avançam. Segundo o consórcio, esse aumento pode ser provocado, em parte, pelas medidas de flexibilização do isolamento social dos governos locais.

O comitê se baseia em recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para alertar sobre a flexibilização. O ideal seria flexibilizar apenas quando o Rt ficasse abaixo de 1 por pelo menos 14 dias. O alerta ainda se estende à volta prematura das atividades presenciais de ensino, o que, segundo os cientistas, pode contribuir para “estender o avanço da terrível doença” na região.
Cenário do Nordeste
De acordo com o boletim, seis estados do Nordeste já atingiram o pico da Covid-19 até o momento - Pernambuco, Ceará, Alagoas, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, no entanto, os índices podem voltar a crescer. 

No Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte, a situação é menos preocupante porque os estados atingiram o pico e a epidemia segue em redução. Já na Bahia, em Sergipe e no Piauí, a Covid-19 ainda não chegou ao pico e está em fase de aumento.
O risco epidêmico continua alto em todos os estados, o que exige, ainda segundo o consórcio, que as autoridades públicas tenham muita cautela para afrouxar as medidas de isolamento. 
O número de óbitos cai em todos os estados, embora possa aumentar na Paraíba. Apesar do risco pandêmico continuar alto, a melhoria dos sistemas hospitalares para tratar a Covid-19 explica a queda nos índices de mortes, uma vez que os procedimentos médicos foram sendo atualizados ao longo do tempo, além do aperfeiçoamento do tratamento da pandemia. 
Informações da Folha de Pernambuco

Nenhum comentário:

Postar um comentário