quarta-feira, 8 de abril de 2020

Bolsonaro convoca reunião isolada com Mandetta para a manhã desta quarta-feira

Mandetta diz que 'não abandona paciente' e afasta possibilidade de ...
Dois dias depois de crescerem as especulações de que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, seria demitido, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) o convoca para uma reunião a sós no Palácio do Planalto, às 9h quarta-feira (8). Embora tenha admitido que continua no governo, a situação de Mandetta ainda é uma incógnita. Por isso, o encontro dos dois pode ser decisivo para o desfecho do ministro.
Desde a reunião da segunda-feira (6), que resultou no ministro da Saúde anunciando que permaneceria no governo, o presidente não fala com a imprensa. Nesta terça-feira (7), ele faltou a dois eventos pré-confirmados. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República alegou que houve "ajustes de compromissos na agenda".

Imbróglio envolvendo Mandetta e Bolsonaro

O imbróglio envolvendo Mandetta e Bolsonaro teve início com a divergência dos dois nas ações de enfrentamento ao novo coronavírus. O presidente defende o relaxamento das medidas de isolamento social, ao contrário do ministro. Na semana passada, Bolsonaro afirmou que eles estavam "se bicando" há algum tempo e que faltava "humildade" ao responsável pela Saúde.
"O Mandetta já sabe que a gente está se bicando há algum tempo. Eu não pretendo demitir o ministro no meio da guerra. Agora, ele é uma pessoa que em algum momento extrapolou. Eu sempre respeitei todos os ministros, o Mandetta também. Ele montou o ministério de acordo com sua vontade. Eu espero que ele dê conta do recado", disse Bolsonaro em entrevista à rádio Jovem Pan, no dia 3 de abril.
No mesmo dia, questionado se podia deixar a pasta, Mandetta respondeu que não tomaria a decisão por vontade própria, a menos que Bolsonaro usasse a caneta" para demiti-lo. "Um médico não abandona o paciente", declarou.
No domingo (5), em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que "algo subiu na cabeça" de pessoas do seu governo, mas que a "hora deles vai chegar". "A minha caneta funciona", afirmou, sem mencionar nomes.
"Algumas pessoas no meu governo, algo subiu a cabeça deles. Estão se achando. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos. Tem provocações. Mas a hora deles não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles. A minha caneta funciona. Não tenho medo de usar a caneta nem pavor. E ela vai ser usada para o bem do Brasil, não é para o meu bem. Nada pessoal meu. A gente vai vencer essa", declarou o presidente.
Nessa segunda-feira (6), após a reunião com Bolsonaro e demais ministros, onde seria decidido seu futuro, Mandetta convocou uma coletiva e anunciou que ficaria no cargo. Ele também pediu paz para continuar o trabalho.
"Começamos a semana com mais um solavanco, esperamos que possamos seguir em paz", disse.
Mandetta afirmou que muitas vezes o trabalho da pasta sofre interferências de forma "constante". "Temos dificuldade quando, em determinadas situações, por determinadas impressões, críticas não vêm para construir, mas para trazer dificuldade no ambiente de trabalho", disse o ministro. "E isso vem uma constante, o Ministério da Saúde adotar determinada linha, situação e termos que voltar, fazermos determinados contrapontos para poder reorganizar a equipe", declarou.
Informações do JC Online / Agências

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